Finisterre

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Arrastados numa viagem que é a um mesmo tempo, uma viagem física e conceptual, esta é uma pequena exposição que leva-nos pela performatividade da paisagem e pelas possibilidades que esta oferece para conhecer o mundo contemporâneo a partir de um instante que responde à demanda de um universo físico visível e, ao mesmo tempo, imaginário, onde o específico se apresenta sempre como algo que se oculta.

A través de objectos, imagens e palabras convida-se aquí a uma viagem que constrói-se em torno de diversas narrativas que falam do poder místico da paisagem e a desorientação sob o poder sedutor do e os segredos que a natureza nos pode revelar, quando caminhamos em procura de nada em concreto e questionamos os limites do tempo e do espaço.

A caminho de uma proposta de interpretação visual de algo que podemos interpretar como “possibilismo”, o nosso interesse poderá avançar numa linha de pensamento onde o artista aprofunda na investigação das formas imaginativas que oferece a paisagem.

No abismo ontológico, onde desorientação é uma condição indiscutível dá paisagem(1), se aborda a oportunidade de refletir sobre diferentes métodos de fazer e pensar em imagens, pois na estranheza do equilibro no interior de um território desconhecido e explorando os múltiplos significados dos diferentes objetos, materiais e estruturas que formam a sua fisionomia, parecemos sentir as forças de determinados campos magnéticos e as relações que daqui se estabelecem com o campo do pensamento e o imaginário individual e coletivo. Lugar este da criação, onde a produção de objetos é detectada dentro de um processo de criação de caráter não-linear que começa a partir de um estado desorientado.

A força de estes objetos resgatados, como paradigma de emancipação à lógica produtiva esmagadora de imagens e de objetos produzidos em massa, Walter Benjamin chamaria de tédio profundo ou “o pássaro sonho que incuba o ovo da experiência” (2), longe da agitação das formas manufacturadas, que nada novo oferecem pois reproduzem o já existente. E neste sentido, dentro de uma lógica de pesquisa “não produtiva” as idéias próprias da contemplação,adivinham a emancipação de um sujeito alienado na tarefa de criar.

Esta pequena exposição estende-se como uma construção complexa, aberta e dinâmica num conjunto de imagens que interagem, num mesmo espaço, buscando multiplicar as suas próprias histórias de forma a configuração de uma paisagem intemporal.

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(1) LYOTARD, Jean-François. “Scapeland”. em O inumano/ considerações sobe o tempo. Tradução Ana Cristina. Seabra e Elisabete Alexandre. Lisboa: Estampa, 1997. p. 189

(2)BENJAMIN, Walter. “El Narrador” em Para uma crítica de la violencia, Iluminaciones IV. Tarurus, Madrid. 199. ps. 111-114.

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