A2.1

 
A2 toma como ponto de partida a reflexão em torno da arte contemporânea e a sua relação com a ideia de intimidade, procurando novos espaços para a sua reflexão, assim como momentos para questionar o labor da crítica, o formato que esta adquire dentro dos canais de comunicação das artes actuais e a sua presença e pertinência para construir uma visão da arte hoje. 
O entendimento contemporâneo de espaço transporta consigo o impacto gerado pelas ferramentas de registo e localização, e o encerramento definitivo da forma como a metafísica da presença, existência e comunhão espacial ocupavam a centralidade no discurso sobre espaço. A produção e o consumo de arte contemporâneo estão (como o nosso quotidiano) atravessados e perplexos pelas complexidade do “lugar de ocorrência”. Não se procura aqui apontar à narrativa gasta sobre a localização da origem da obra e da “queda do estúdio”, mas onde se situa o encontro da arte e dos seus agentes; onde ocorre aquilo a que podemos chamar de arte? 
Tais preocupações reflectem-se na adopção de certos formatos jornalísticos na crítica de arte contemporâneo (como são exemplos os formatos de diários do salonKritik, e-flux, e entre nós, a Arte Capital). Estas plataformas desempenham um trabalho crucial, seja numa perspectiva neo – arquivista, como num encurtamento e acesso dos públicos a experiências e ocorrências à distância. Nesse sentido, o encurtamento espacial é intrinsecamente político, seja pela sua modalidade comunicacional, seja porque estas estratégias produzem (acidental ou intencionalmente) a topologia do que poderá ser chamado “a actividade existente”. 
A transferência para este tipo de espacialidade, sobretudo a relação entre presença e ocorrência do inesperado, do que poderá surgir do contacto entre agentes, da aleatória geração de associações e influências, torna-se bastante mais difusa, segregada, raramente existente. Os momento da vernissage constituem ainda hoje os espaços primordiais para uma topografia dos agentes em torno contexto da arte. E nelas também se projectam modos de operar ocorrências involuntárias (ainda que maioritariamente centradas nos agentes). 
O A2 procura precisamente uma ocorrência que regressa à valorização do encontro entre artistas, mas atendendo primordialmente aos processo da obra ou que conduzem à obra (sejam estas reflexões menos publicitadas, ou simplesmente, as ideias soltas, as perplexidades, os confrontos que conduzem à produção, a incapacidade de deslindar determinados processos…). Não se vive aqui de uma mistificação da boémia mas da ênfase de um espaço de encontro que sublinha modos de ser e estar, e onde o contexto de recepção e produção é menos valorizado (seja por simples evasão cronológica) do que a abertura a “ocorrências” inesperadas. O A2 procura assim gerar condições para esse encontro entre agentes interessados na troca de ideias e exploração de direcções ou, simplesmente, na experimentação de determinadas abordagens, constituindo um espaço de liberdade onde a intimidade (seja no sentido da proximidade ou presença) é fundamental.
 As escolhas para o primeiro A2 não foram talvez as mais óbvias. E essa é uma percepção consciente e desejada. O princípio agregador para o convite foi o da intimidade com os agentes e as suas ideias, perplexidades, posições. Alguns dos convidados tiveram sempre uma presença discreta e tiveram neste momento do A2 o seu primeiro contacto com uma “plateia”.  
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